Como se preparar para a transição do ensino médio para o superior?

Escola deve ajudar o estudante a definir seu projeto de vida e vivenciar os desafios, as descobertas e as oportunidades da vida universitária em sua plenitude

A conclusão do Ensino Médio é um momento muito especial para os estudantes. Além de marcar o final da Educação Básica, ela ocorre em meio às mudanças da adolescência. As transformações não são apenas físicas, cognitivas e psicológicas, mas também dizem respeito ao papel que o jovem irá assumir na sociedade

“Ao chegar ao fim do Ensino Médio, o adolescente é chamado a fazer escolhas profissionais para dar continuidade aos estudos ou ingressar no mercado de trabalho. E o acesso ao Ensino Superior está atrelado ao conhecimento construído ao longo dos três anos do Ensino Médio, o que é verificado com provas classificatórias para a carreira escolhida”, diz Mariana Abbate, orientadora educacional de apoio à aprendizagem da Unidade Granja Vianna do Colégio Rio Branco.

No entanto, ela aponta que o Ensino Médio não pode ser considerado apenas um rito de passagem para a vida profissional. “Ele deve ser também um espaço e um tempo para a juventude adotar uma noção ampliada e plural sobre sua função na sociedade”, afirma. “Essa etapa da vida escolar irá possibilitar uma inserção mais autônoma e crítica no mundo. E a escola é responsável por proporcionar uma formação que permita ao adolescente, em sintonia com seus percursos e histórias e em consonância com a BNCC [Base Nacional Comum Curricular], definir seus projetos de vida.”

Segundo a orientadora, se o Ensino Médio é um lugar de “investigação e intervenção quanto aos aspectos sociais, produtivos, ambientais e culturais”, encerrar esse ciclo tem um significado importante. “Compreende estar apto a ‘assumir responsabilidades para equacionar e resolver questões legadas pelas gerações anteriores, valorizando o esforço dos que os precederam e abrindo-se criativamente para o novo’, destaca ela, citando a BNCC.

Mudanças, oportunidades e desafios 

Mariana lembra que o aluno universitário enfrenta desafios em diferentes âmbitos, desde mudanças pessoais, interpessoais, familiares e institucionais. “Algumas situações também são características desse novo momento de vida, como a saída da casa dos pais, novas amizades, maior autonomia na organização da rotina e na própria vida acadêmica e novas responsabilidades e compromissos.”

Ela salienta alguns benefícios que essas transformações podem trazer, como: 

  • Ampliação de conhecimentos: com diferentes cursos em um mesmo ambiente universitário, a possibilidade de estudar conteúdos específicos, pessoas envolvidas no meio acadêmico e em constante atualização para se aproximar e ampliar o repertório, uma nova cidade, um novo bairro e, consequentemente, novas experiências.
  • Desenvolvimento da autonomia e da responsabilidade: pelo gerenciamento do tempo, comprometimento com tarefas da própria rotina, tomada de decisões e escolha de prioridades. Por exemplo, ao morar sozinho, o jovem deve ser o responsável pelo preparo das refeições, limpeza do local, organização das finanças e gestão do tempo de cada atividade, inclusive as de estudo.
  • Construção de uma nova rede de contatos: pessoais e, possivelmente, profissionais.
  • Amadurecimento: diferentes oportunidades e experiências de vida estimulam o desenvolvimento pessoal, estabelecendo novas ideias e perspectivas.

Em meio a esse contexto rico de novas vivências, a orientadora ressalta que também é preciso ter em mente os desafios dessa fase, como adaptação à nova rotina da vida universitária e novas metodologias de ensino, que vão exigir uma carga horária mais intensa de estudo, além de proatividade, autonomia e responsabilidade. Há também que se planejar financeiramente e lidar com a pressão por resultados e concorrência no mercado de trabalho.

Para se preparar para essa nova fase, ela dá algumas dicas e orientações aos estudantes. Confira:

  1. Faça uma boa gestão do tempo, estabelecendo metas realistas de estudo.
  2. Pesquise sobre os cursos e faculdades que deseja cursar. Descubra seus interesses e planeje a sua carreira.
  3. Busque ajuda dos professores e orientação educacional para tirar dúvidas sobre vestibulares e graduações de seu interesse. 
  4. Participe de cursos extracurriculares, que podem ser excelentes opções de enriquecimento de repertório, formação e construção de redes de contatos.
  5. Cuide da sua saúde mental e física, praticando atividades físicas e alternando momentos de lazer e descanso com os períodos de estudo.
  6. Leia, procure informações e contate pessoas que já estão na sua área de interesse para conhecer melhor sobre o curso e as possibilidades de atuação profissional.

 

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