O papel das artes na educação: criatividade e expressão como ferramentas de aprendizagem

A música, o teatro, a dança e as artes plásticas ajudam a desenvolver a sensibilidade, a empatia e o pensamento crítico, contribuindo para a formação integral dos estudantes

As artes – como a música, o teatro, a dança e as artes plásticas – sempre foram importantes formas de comunicação e expressão humanas. Mas as atividades artísticas também podem ser uma poderosa ferramenta de aprendizagem. Integrá-las à educação desde cedo não é apenas uma questão de diversificar o currículo, mas investir no desenvolvimento integral das crianças e dos adolescentes

As artes contribuem para a formação de pessoas mais criativas, sensíveis, empáticas e críticas, habilidades essenciais para o exercício da cidadania e para a preparação para a vida adulta e o mundo do trabalho. Também ajudam na resolução de problemas e a lidar com as situações desafiadoras do dia a dia.

Neste post, vamos explorar a importância das artes na educação e como elas ajudam no desenvolvimento cognitivo e socioemocional dos estudantes.

A arte como ferramenta de aprendizagem

As artes desempenham um papel fundamental no processo de aprendizagem ao oferecer aos alunos oportunidades de explorar, experimentar e expressar suas ideias, bem como trazer novas perspectivas, conhecimentos e compreensão de mundo. “A sensibilidade, a intuição, o pensamento, as emoções e as subjetividades se manifestam como formas de expressão no processo de aprendizagem em Arte”, enuncia a Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

Segundo o documento, as linguagens artísticas contribuem também para a contextualização dos saberes e a interação crítica dos alunos com o mundo, além de favorecerem o respeito às diferenças e o diálogo intercultural. Elas possibilitam ainda entender as relações entre tempos históricos e os contextos culturais e sociais dos sujeitos.

A BNCC propõe que a abordagem das expressões artísticas articule seis dimensões do conhecimento:

  1. Criação: refere-se ao fazer artístico, que confere materialidade estética a sentimentos, ideias, desejos e representações em produções artísticas individuais ou coletivas. 
  2. Crítica: diz respeito às impressões que impulsionam os sujeitos em direção a novas compreensões do espaço em que vivem, com base no estabelecimento de relações entre as diversas experiências e manifestações artísticas e culturais vividas e conhecidas. 
  3. Estesia: experiência sensível dos sujeitos em relação ao espaço, ao tempo, ao som, à ação, às imagens, ao próprio corpo e aos diferentes materiais. Articula a sensibilidade e a percepção, tomadas como forma de conhecer a si mesmo, o outro e o mundo.
  4. Expressão: exteriorização e manifestação das criações subjetivas por meio de procedimentos artísticos.
  5. Fruição: refere-se ao deleite, ao prazer, ao estranhamento e à abertura para se sensibilizar durante a participação em práticas artísticas e culturais. 
  6. Reflexão: processo de analisar, interpretar e construir argumentos e ponderações sobre as fruições, as experiências e os processos criativos, artísticos e culturais. 

Entre as competências específicas de Arte a serem desenvolvidas nos alunos, a Base propõe:

  • Explorar, conhecer, fruir e analisar criticamente práticas e produções artísticas e culturais do entorno social dos alunos, dos povos indígenas, das comunidades tradicionais brasileiras e de diversas sociedades, em distintos tempos e espaços. O objetivo é reconhecer a arte como um fenômeno cultural, histórico, social e sensível a diferentes contextos e dialogar com as diversidades.
  • Compreender as relações entre as linguagens da Arte e suas práticas integradas, inclusive aquelas possibilitadas pelo uso das novas tecnologias de informação e comunicação, pelo cinema e pelo audiovisual.
  • Desenvolver a autonomia, a crítica, a autoria e o trabalho coletivo e colaborativo nas artes.
  • Analisar e valorizar o patrimônio artístico nacional e internacional, material e imaterial, com suas histórias e diferentes visões de mundo.

Criatividade: uma habilidade essencial

De acordo com o último Programa Internacional de Avaliação dos Estudantes (PISA 2022), mais da metade (54,3%) dos jovens brasileiros de 15 anos apresentou baixo nível de criatividade ao tentar solucionar problemas sociais e científicos. Isso mostra a necessidade de desenvolver a criatividade dos alunos, e as artes podem ser uma ferramenta potente para isso.

Ao desenvolver projetos que envolvem teatro, música, artes visuais ou dança, os alunos aprendem a explorar diferentes perspectivas, aplicar soluções criativas e conectar-se emocionalmente com suas produções. Isso estimula a flexibilidade mental e a capacidade de inovar, atributos indispensáveis em qualquer área.

Um exemplo de aplicação da arte na educação é a metodologia STEAM, sigla em inglês para Ciências, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática. Essa abordagem promove um aprendizado interdisciplinar, criativo e orientado à solução de problemas. Ao integrar as artes às disciplinas tradicionais, é possível não só favorecer o aprendizado criativo, mas também melhorar o desempenho nas outras áreas do currículo escolar.

Empatia e inteligência emocional

As artes também são uma ótima ferramenta para o autoconhecimento e o desenvolvimento emocional. O relatório Beyond Academic Learning: First Results from the Survey of Social and Emotional Skills, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), mostra exemplos de cidades e países, como Sintra (Portugal) e Irlanda, que promoveram programas de educação artística para aumentar a criatividade dos alunos e trabalhar a habilidade de compreender e identificar emoções em si mesmos e nos outros.

Interpretar um personagem em uma peça teatral ou ouvir a história relacionada à criação de uma obra de arte, por exemplo, são atividades que ajudam a desenvolver a empatia. Essas experiências ensinam os estudantes a ver o mundo sob diferentes perspectivas, fortalecendo a inteligência emocional e a capacidade de se relacionar com os outros. 

Além disso, pesquisa realizada pelo Escritório Regional para a Europa da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostrou que a arte está associada ao controle e à prevenção do estresse e a um menor nível de ansiedade, contribuindo para a saúde mental. 

Estímulo ao pensamento crítico

Problematizar questões políticas, sociais, econômicas, científicas, tecnológicas e culturais por meio de produções, intervenções e apresentações artísticas é outra competência que a arte permite desenvolver nos alunos, segundo a BNCC.  

O documento também aponta a possibilidade de os estudantes estabelecerem relações entre arte, mídia, mercado e consumo, compreendendo os modos de produção e de circulação da arte na sociedade.

Apreciar e criar produções artísticas requerem muita reflexão e incentivam o olhar questionador e o pensamento crítico. Ao estudar uma obra, por exemplo, as crianças e jovens aprendem a interpretar mensagens subjacentes, considerar contextos históricos e questionar o seu significado. Ao criar suas próprias obras, eles desenvolvem habilidades de planejamento, resolução de problemas e tomam decisões, competências essenciais para o desenvolvimento do pensamento crítico.

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