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24/06/2026

Encontro com a Direção reflete sobre educar entre telas, afetos e limites

O Colégio Rio Branco realizou mais uma edição do Encontro com a Direção, reunindo as famílias em torno do tema "Educar entre telas, afetos e limites". Os encontros aconteceram em 18 de junho, na Unidade Granja Vianna, e em 24 de junho, na Unidade Higienópolis, com a condução da diretora-geral, Esther Carvalho.

 

A conversa partiu de uma reflexão sobre as dimensões de ‘filhos’ e ‘alunos’. Em casa, a criança é indivíduo e vive sua socialização primária; na escola, ela é também cidadã e experimenta, pela primeira vez de forma estruturada e protegida, a vida em coletivo. São papéis distintos e complementares.

A partir daí, o encontro aprofundou o conceito de mundo figital, do pesquisador Silvio Meira, segundo o qual não vivemos mais em dimensões separadas: as dimensões física, digital e social se integram, e o que acontece em uma repercute nas demais. Para crianças e jovens, ressaltou-se, o digital não é um espaço à parte, mas parte da própria vida.

Desse ponto de partida, foram desenvolvidas as reflexões:

  • Para além do tempo de tela: educar no mundo figital exige observar o que crianças e jovens acessam, produzem e compartilham, como as telas afetam sono, atenção, emoções e convivência, e como preservar experiências que as telas não substituem. Mais do que "quanto tempo ficou conectado?", a pergunta passa a ser "o que fez, como se sentiu, o que aprendeu e que consequências essa experiência produziu?".
  • Afetos no mundo figital: as tecnologias também mediam vínculos, amizades e conflitos. Uma mensagem pode acolher e um grupo pode fortalecer laços, mas exposições, comentários e exclusões online podem provocar sofrimento real. Educar afetivamente passa por reconhecer que há sempre uma pessoa concreta do outro lado da tela.
  • Limites em três dimensões: os limites não se restringem ao tempo de uso e precisam considerar o âmbito físico (sono, alimentação, movimento, descanso), o digital (aplicativos, conteúdos, horários, privacidade, exposição, uso de IA) e o social e ético (respeito, autoria, intimidade, verdade e consequências das próprias ações).
  • Ética da comunicação entre família e escola: num ecossistema de aplicativos e mensagens, cresce a expectativa de respostas imediatas e o risco de intervenções precipitadas. A escola reforçou que comunicação imediata não significa compreensão imediata e que, antes de reagir, é preciso escutar, contextualizar e dialogar, lembrando ainda que confiar na escola não significa concordar com todas as decisões, e que divergir não é uma quebra de confiança.

 

O encontro contou com um momento de trocas entre as famílias, que discutiram, em grupos, questões propostas, como quais experiências físicas e sociais precisam ser protegidas da substituição pelas telas, que valores devem orientar a conduta dos filhos nos espaços físicos e digitais, e como ajudá-los a conviver com quem pensa de forma diferente.

Promovido desde 2012, o Encontro com a Direção é um espaço de reflexão qualificada entre escola e famílias. Esse espaço também contribui para o aprimoramento contínuo da instituição, ampliando o olhar da escola a partir do olhar das famílias.

 

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