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Educadores devem estimular o pensamento crítico, a autonomia e a busca por soluções para problemas, por meio de atividades e propostas que colocam os alunos no centro do processo de aprendizagem
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que define as aprendizagens essenciais que os estudantes devem desenvolver ao longo da Educação Básica, propõe que os jovens tenham protagonismo na sua aprendizagem, na construção de seu projeto de vida e no exercício da cidadania.
“A capacidade de assumir na sociedade uma postura ativa, participativa, responsável e impactante é conhecida como protagonismo juvenil. Esse papel, que envolve autonomia, responsabilidade e engajamento, permite que os jovens atuem como transformadores sociais, culturais e políticos”, afirma Ana Carolina Han, coordenadora pedagógica da Unidade Higienópolis do Colégio Rio Branco.
Ela diz que, na prática, o protagonismo juvenil pode se manifestar de diversas formas e impactar diferentes setores. Participação em projetos sociais, voluntariado, atuação em movimentos estudantis, engajamento político, produção cultural e artística são alguns exemplos. “O uso de tecnologias e redes sociais de forma crítica e responsável para mobilização sobre temáticas relevantes também é resultado dessas manifestações pelos jovens”, completa.
Segundo ela, esse conceito, que traz voz aos adolescentes, é baseado no princípio de que eles não são apenas receptores de conhecimento, mas agentes transformadores com potencial para construções positivas e necessárias para a sociedade.
O papel dos educadores
A edificação do protagonismo juvenil é de responsabilidade de todos, mas a escola e os professores têm um papel central nessa construção, juntamente com as famílias. De acordo com a coordenadora, cabe aos educadores, por exemplo:
- orientar os alunos a buscar respostas e soluções para problemas em contextos autênticos e atuais;
- atuar como exemplos de liderança e engajamento na comunidade escolar;
- auxiliar os estudantes a tomar decisões e assumir responsabilidades, desenvolvendo a autonomia.
Metodologias e propostas curriculares
Além da atuação dos educadores, as metodologias de ensino também são importantes para o desenvolvimento do protagonismo dos estudantes. Principalmente, as que colocam o aluno no centro do processo de aprendizagem, despertando o senso crítico e promovendo debates de temáticas pertinentes.
“O projeto pedagógico da escola deve ser dinâmico, incentivando os alunos a pensar, criar e agir por si mesmos e em colaboração com os outros, o que gera engajamento, responsabilidade e segurança para a resolução de problemas”, exemplifica a coordenadora.
Ela conta que uma iniciativa do Colégio Rio Branco nesse sentido é o componente curricular “Jovem em Perspectiva”, para o 8º ano do Ensino Fundamental, que propõe um espaço de diálogo aberto, tolerante e respeitoso. “Isso se articula ao nosso projeto político pedagógico, que busca a formação de um cidadão ético, solidário e competente e o fomento de uma cultura de paz.”
Nesse componente curricular são contemplados temas importantes à adolescência, como cultura da vaidade, consumismo, autoimagem, redes sociais, bullying e cyberbullying. “A partir de dados científicos, diferentes pontos de vista e análises mais aprofundadas, valorizando a empatia e a reflexão, realizamos discussões sobre as implicações, responsabilidades e consequências das atitudes individuais e coletivas”, detalha Ana Carolina.
Outras propostas curriculares do Rio Branco também valorizam o protagonismo, como os módulos interdisciplinares, a participação em simulações diplomáticas e em diversas olimpíadas do conhecimento. Além disso, há atividades em que a integração de recursos digitais -- como o uso da plataforma Google for Education para enriquecer o processo de ensino e aprendizagem -- promove a colaboração e o desenvolvimento de habilidades digitais.
Estímulo à reflexão
Ao possibilitar debates, reflexões e intervenções para problemas reais da sociedade, a escola passa a funcionar como um lugar para a criatividade e a inovação. No Rio Branco, um desses espaços é o Coletivo Humana Mente, formado por alunos, professores e intérpretes da Língua Brasileira de Sinais (Libras).
Trata-se de uma proposta multisseriada de encontros semanais para discussão de temáticas das humanidades. Há trocas de referências artísticas, produção de arte acessível, além das ideias de acessibilidade e design universal, valorizando a inclusão, a colaboração e a acessibilidade.
“O trabalho com protagonismo juvenil busca apoiar os estudantes a ponderarem sobre suas predileções, anseios, habilidades e competências. Isso reflete no planejamento de sua trajetória acadêmica e profissional, gerando impacto social, uma vez que se tornam importantes agentes transformadores da sociedade”, conclui a coordenadora.
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